quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ANÁLISE DAS OBRAS LITERÁRIAS UNIMONTES 1/2013 – PARTE II



PLANTÃO DO VESTIBULANDO
Uma maneira simples de aprender a como chegar lá...
ANÁLISE DAS OBRAS LITERÁRIAS UNIMONTES 1/2013 – PARTE II

Olá, pessoal! Façamos uma breve análise de “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade.
Pertencente à segunda fase modernista, o autor possui uma somatória de características, inclusive, uma certa aproximação com a 1ª fase do Modernismo, no que diz respeito à liberdade temática, formal e de expressão.
Nesse livro de poemas, temos várias faces de Drummond. São comuns os questionamentos, as reflexões sobre a existência, o mundo e o fazer poético. Em alguns poemas, percebemos sonetos com versos decassílabos, os quais contradizem a liberdade formal característica de sua própria maneira de escrever. Entretanto, essas mesmas contradições vêm mostrar que o escritor desse período é liberto de qualquer “amarra” que o impeça de “voar” à sua maneira.
O pessimismo, uma das maiores características de seus poemas voltados a temáticas pessoais, aparece muitas vezes, como em “Confissão”, vejamos alguns trechos: “beijei sem beijo”, “não amei bastante sequer a mim mesmo”, “não amei ninguém”. Essa negação total leva o eu-lírico a um não-lugar, uma sensação de não pertencimento ao mundo, uma angústia de viver.
Percebemos também a presença de zoomorfismo, como quando encontramos: “sou boi”. Lembramos, neste momento, o caráter regional do poeta, uma vez que, no próprio livro “Boitempo”, há a metaforização de si mesmo através das descrições do mundo rural, mundo de sua infância em Itabira. O boi, pelo seu caráter de ruminante, serve como símbolo da memorização, do ficar ali “mastigando”, remoendo, lembrando e sofrendo cada momento que não volta mais. Essa característica doída faz parte do mundo melancólico e pessimista da escrita de Drummond.
Carlos Drummond faz reflexões existenciais, como quando expressa: “as coisas findas é que ficarão”. Esse caráter saudosista foi construído com expressões paradoxais, fazendo-nos concluir que a existência é contraditória em si mesma, o próprio ser humano é paradoxal.
Cabe ressaltar também o uso de palimpsestos na metaforização do sonho: “sonhei que estava sonhando/ e que no meu sonho havia/ um outro sonho esculpido”. Como em um espelho, notamos o reflexo do reflexo, a abstração total, mas, ao mesmo tempo, a concretização do sonho através da escultura.
A vida é metaforizada como em uma tela a ser contemplada: em cada verso, o poeta vai tecendo lembranças, sentimentos, abstrações, concretizações, suspiros, ilusões: “O filho que não fiz hoje seria homem”: lamentações... à moda de um Carpe Diem barroco, o “aproveitar o dia” ao avesso e negativo.
Esses são apenas alguns exemplos do que encontramos em “Claro Enigma”, livro que, no próprio título, já nos mostra algo ilógico: a claridade dentro do que é obscuro (o enigma).
Até a próxima!!!

JULIANA BARRETO – Profª de Língua Portuguesa
 


*Matéria publicada no Jornal A Semana, de Pirapora-MG, por Juliana Barreto Profª de Língua Portuguesa, formada em Letras pela Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES Contato: ahhfalaserio@hotmail.com Página no Facebook: http://www.facebook.com/nossaquefacil

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